A little one side written talk. 2009.
Hi Ulrich, how are you?
I let you know I am fine. Is a pleasure talk to you.
But i know maybe you not Ulrich.
That's O.K., you pretend to bem him. So I will continue.
Here are my unrealised projects. I let you know.
Is a pleasure to present it.
This is some cat pictures
I do collect. You able like them also.
I devide in groups, folders the way I like. It is clear the limits on my mind.
There is people who get easy with them, also others do not.
It is confuse, know if one change line first, as decision, then stay inside as new decision.
Or one step out, wishes to still be in, so then push further.
It will be nice pull close, to body, and walk and pull, no push and walk.
This is good way we can excercize and use limit condition also.
Everybody I heard use limit.
The cheezburguer cat website let every used limit person do customization.
One key of customization is sourrounded by limit.
This is not customized ORACLE, I need system uploading answers.
I can myself customize, but no others. Would you like give answers, a contribution?
Otherwise, if question is good, you just keep, or ask.
I am sorry despite poor english. This is hard think and write. Also write and think not.
It is difficult
presentation.
...explanation...
So I better stop.
I think then, is clever to do
deep drawings.

Textos por Drika Moto, 2008/2009.
queria que ele me convidasse pra ir até sua casa. uma vez. nem que fosse pra repor uma aula. ele poderia me oferecer um wiskie. eu tomaria duas doses e ele uma. ele pediria comida chinesa e a gente dividiria um frango empanado. eu pegaria mais da metade do molho agridoce e ele não ligaria porque ainda não teríamos intimidade o suficiente pra isso. em baixo da mesa, ele esbarraria sem querer seu sapato na minha canela, porque ele é desses homens que cruzam as pernas. eu pensaria em colocar a mão no seu joelho para corresponder o esbarrão, mas como não foi de propósito, não teria sentido corresponder algo não-proposital. talvez eu pudesse esbarrar alguma outra parte do meu corpo nele, assim: sem querer. vou tirar o casaco e jogar no sofá. em um movimento brusco. o zíper de metal vai bater em seu braço e você sentirá uma dor pequena, rápida e boa. vou te pedir desculpas. desculpa por ter colocado uma mensagem de amor no teu biscoito chinês. quando você abriu, você leu. fui eu que escrevi. e o ar virou borracha. a cada movimento, escutava um rangido fininho. era difícil de descobrir o que fazer com nosso próprio corpo. acho que eu tive mais dificuldade com o corpo do que ele, mas ele teve mais dificuldade com os olhos do que eu. se bem que o lance do olho não me custa quase nunca. sei esperar, então espero o outro olhar pro lado, assim, depois, posso fazer o que quiser com o meu.
é bom quando agente tem uma idéia e depois forma uma frase pra ela, mas muitas vezes tenho só a idéia e me falta a frase. foi isso o que aconteceu, tive a idéia de que era hora de repor a aula, mas achei difícil falar. me deu a angústia de sempre, mas logo depois tive uma outra idéia mais inteligente, porque ela não precisava de frase. fiz transmissão de pensamento e funcionou. ele perguntou se eu estava com a partitura. fiquei feliz. senti tanta coisa e era tudo isso que estava acontecendo. em segredo, tínhamos uma língua secreta. achamos um lugar sem espaço, um lugar que nenhuma outra pessoa pode encontrar porque não existe na terra e nem em palavras.
tocamos a música toda à quadro mãos. troquei as notas e contei fora do tempo. ele não corrigiu. entre nós, não existia mais o certo e o errado. a verdade e a mentira. não só entre, mas sobre. tanto que se ele te perguntar algo sobre mim, você não precisará dizer nada. pois não existe palavra alguma para descrever o que se passa entre nós. achei romântico. pensei que talvez vocês pudessem se comunicar pelos olhos, mas tenho certeza que na linguagem dos olhos também não há nada que possa exprimir o que existe entre nós. então fiquei mais feliz ainda. estávamos vivendo a relação mais romântica da nossa vida. estávamos ali, por pouco, sem encostar as pernas. me empolguei e toquei de novo. ele não me acompanhou. me senti ridícula, foi como bater palmas sozinha. mas hoje ele estava triste e relevei.
a tristeza durou algumas aulas e perguntei por que. ele começou uma frase e depois do começo, ao invés do final, veio aquele tempo de desespero, que geralmente é pequeno, mas é grande, porque o final lhe escapou. mas agora ao menos estávamos quites. estávamos quites, mas como foi ele o último a se constranger, me senti superior. ele percebeu e por vingança continuou a me olhar como se eu fosse qualquer uma, o que me deixava na desvantagem. mas eu olho todo mundo como se fossem especiais, então achei que estávamos quites de novo.
percebi que essa coisa da vergonha nos unia, e aproveitei a ocasião pra perguntar o que o envergonhava. perguntei com palavras. ele me contou com palavras. nos sentimos tão perto um do outro que poderia ir embora, nunca mais te ver que ainda assim estaríamos sempre próximos. mas antes de ir, gostaria de formalizar a situação, pegar sua mão e dizer: eu te amo.
eu sei que você me acharia muito estranha se o fizesse, mal nos conhecemos.
mas esse é nosso amor secreto, o maior da nossa vida. ouvi dizer que se falamos eu te amo muitas vezes a frase perde seu valor. mas acho que isso só vale pra quando dizemos eu te amo e depois de algumas horas, por exemplo três, aí dizemos eu te amo de novo e esperamos mais três horas, dizemos eu te amo de novo e assim por diante. isso daria oito eu te amos por dia, isso se ficássemos 24 horas sem dormir. mas se eu disser: eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo bem depressa, um eu te amo seguido do outro, sem intervalo, você abriria um sorriso por dentro, mas me acharia realmente estranha e uma infratora das regras dos namoros secretos que usam essa nossa língua não falada e que existe nesse nosso não-lugar.
sinto que agora tenho pernas, que posso andar pra frente, pra trás, pros lados, pra onde quiser. e que o chão me falta. posso andar porque tenho pernas. sinto que posso andar mesmo sem chão. mesmo sem saber onde estou pisando. não sei onde estou pisando, mas sei que não piso no chão porque ele me falta. e é por isso mesmo que posso até pisar pra cima e pra baixo. posso pisar pra cima e pra baixo sem saber se na verdade estou pisando pra direita ou pra esquerda, pra frente ou pra trás. é que agora tenho pernas e posso pisar. me pergunto se você também possui pernas? duas? quer pisar comigo? podemos dar as mãos. juntar uma das minhas com uma das suas e pisar juntos. prefiro que ao juntarmos nossas mãos, nosso olhos não fiquem um do lado do outro. prefiro que não olhem na mesma direção, embora possam se encontrar numa mesma linha, como eu olhando pra você e você pra mim. mas eles não precisam estar na paralela. de fato, podemos testar infinitos ângulos. podemos testar um ângulo por dia, desde que nossos olhos não olhem na mesma direção. isso definitivamente não faria sentido: a mesma direção. podemos sincronizar nossos passos, podemos pisar bem juntos ao mesmo tempo. como se fossemos um.
pisaríamos bem perto, em um lugar que não é o chão, porque se você vier aqui, não vai encontrar nenhum. ou talvez você encontre, porque talvez você enxergue mais do que eu. eu não o vejo daqui, tão pouco sinto sua presença. mas talvez você o sinta, e se esse for o caso, você poderá descrevê-lo com palavras, ou poderá desenhá-lo pra mim. e assim poderemos por ele caminhar. poderemos devagar, sempre juntos, caminhar. pisar, com os pés, nessa coisa chamada chão. pisar e andar até seu fim. e aí então voltaríamos pra situação na qual eu me encontro agora, onde o chão me falta. só que dessa vez você estaria aqui, ao meu lado e a distância entre nossos pés seria sempre a mesma. como se fossemos um. mas nunca caminharíamos ao mesmo tempo pra frente ou pra trás, pra esquerda ou pra direita, pra cima ou pra baixo. isso, porque nossos olhos nunca olhariam na mesma direção, na mesma direção não. então se estamos um de frente pro outro, eu ando pra frente e você pra trás. nunca andaremos simultaneamente pra mesma frente, porque a mesma direção não. poderíamos aliás, juntar não só uma de nossas mãos, mas sim as duas. poderíamos juntar as duas, uma na outra - uma na outra. e dessa maneira dançaríamos. dançaríamos no espaço. dançaríamos no espaço durante o tempo.
o tempo. tenho a impressão de que o tempo só pode andar pra frente. e sinto que ele, assim como o espaço, existe independentemente de mim. ele tem suas próprias pernas e só pode andar pra frente. deve ser triste existir e só andar pra frente. pobre do tempo. mas fico feliz pelas pernas, coisa que o espaço não tem. se bem que mais triste ainda é quem tem pernas, pode andar pelo espaço, mas não sabe. existe muita gente assim: que tem pernas, mas que não sabe andar pelo espaço. eu mesma, até então, não sabia. isso sim é triste. é mais triste do que o tempo. porque o tempo existe independentemente de mim, mas eu não existo independentemente do tempo. se não existe ninguém, o tempo anda sozinho, caminha sozinho, sempre pra frente. nós não, nunca caminhamos só. não podemos só existir e mais nada. apesar de podermos andar pra todos os lados, não podemos ficar parados no espaço, porque o tempo sempre está com a gente. se ficamos parados, ele nos carrega nas costas: pra frente. e às vezes, é tudo tão rápido e suave que suspeito que ao invés de pernas o tempo tenha é um trilho. um trilho e rodas que deslizam num espaço sem atrito, pro infinito. o tempo é autônomo e a gente não. triste de nós que não somos autônomos e triste daqueles que além de não serem autônomos não sabem andar no espaço e são carregados pelo trilho do tempo. se bem que me divertira ao deslizar pelo trilho, com as duas pernas bem quietas. poderia deslizar e esperar o momento certo: a alta velocidade. e então saltaria. precisaria usar as mãos pra não machucar o rosto na hora da queda. poderia deixar o tempo correr e saltar e usar as mãos pra amortecer a queda. e nesse momento, dele, me libertaria. imagino que pra isso, necessitaria de muita coragem. deve dar medo. nesse momento, creio que as mãos e os braços sejam mais importantes do que as pernas e os pés. você tem coragem? poderíamos tentar isso juntos. porque além do medo da queda, tenho medo de me perder. o tempo deve ser mais ardiloso que o espaço. vamos trançar nossas pernas? trançaremos nossas pernas uma na outra - uma na outra. assim não nos perderemos e deixaremos os braços e as mãos livres para hora da queda. mas se o tempo tiver ficado pra lá, não vai ter mais hora nenhuma. talvez tenha, mas longe da gente. é, não precisamos nos preocupar com a hora da queda. mas tenho medo de botar em risco meu rosto, tenho medo de botar em risco também o teu. é possível que com a queda depois do salto, nossos braços e mãos não dêem conta. e pode acontecer de machucarmos tanto que todo nosso rosto pode se deformar.